terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.
(Clarissa Corrêa)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Olá pessoal,

Quanto tempo heim! Acho que me mantive ausente durante muito tempo né, nem sei o porquê dessa distância toda do meu querido blog. Mas talvez eu tenha algumas desculpas idiotas, mas... desculpas são apenas desculpas, uma maneira de não ser leal, às vezes.
O momento é de crise pessoal.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Já fazem alguns meses que não posto nada de minha autoria, ando muito ocupada e mais ainda ando sem inspiração, dizem que o amor nos deixa mais inspirada, será esse o motivo pelo o qual nada me inspira, falta de amor??
Pode ser, ou não!!! Eu e minhas contradições...rsrs
Meus sentimentos são simples em minha cabeça, mas na realidade me sinto confusa demais, pois ainda não aprendi a lidar com alguns deles.
Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos...
...Nem a distância apaga a chama da paixão.
Guimarães Rosa
(1908-1967)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A conexão

Desde os anos 60, com a publicação da série de livros Hermes, o trabalho de Michel Serres tem se afirmado como uma das mais instigantes reflexões sobre a ciência de nosso tempo, sobre as relações entre a filosofia contemporânea e a sua história e sobre a história das ciências e as ciências atuais na conjunção de um pensamento ao mesmo tempo epistemológico, ético e estético. Sua obra constitui um desafio a certos dualismos básicos na cultura moderna, que separa as ciências humanas, a tradição dos estudos clássicos e as chamadas ciências duras.

Serres veio a São Paulo para abrir o 1º Congresso Internacional do Desenvolvimento Humano na Universidade São Marcos (16 a 18 de setembro) e para o lançamento, no Brasil, de seu livro de entrevistas Luzes, pela Unimarco Editora. Amanhã, participa do programa Roda Viva, na TV Cultura. Nesta entrevista, o filósofo francês fala sobre as perspectivas da relação entre as humanidades e as ciências duras.

Folha – As questões da comunicação, da educação e do desenvolvimento cultural formam o tema geral da conferência que você veio abrir e o ocuparam ao longo de suas obras. Como refletir sobre as novas possibilidades e os novos desafios que o desenvolvimento tecnológico apresenta neste final de século para as formas da educação e da comunicação e que impacto tem e terão na evolução (ou involução) das formas culturais?

Serres – Primeiramente, como cada mudança de suporte de informação tem trazido na história transformações consideráveis nas maneiras de vida – por exemplo, a invenção da escritura ou dos processos de impressão –, devemos esperar mudanças igualmente radicais no futuro. Em segundo lugar, entre estas mudanças, as da educação e dos modos de pensar serão importantes, com outras funções da memória, da imaginação, da própria razão. E, finalmente, essa reflexão deve responder de maneira otimista às questões do futuro: realmente, eu penso que o ensino a distância, mais barato que o tradicional, poderá dar aos mais desfavorecidos acesso ao conhecimento.

Folha – O sr. refletiu recentemente sobre a passagem de uma sociedade de informação para uma sociedade de formação contínua, uma sociedade pedagógica. Segundo o Iluminismo, o conhecimento libertaria a humanidade. Aparentemente, a sociedade que estamos construindo ao fim do milênio nega, na prática – não necessariamente na sua ideologia –, a equação de conhecimento e liberdade. A sociedade pedagógica correria o risco de confundir fins e meios, de perder de vista as metas de autonomia pessoal e liberdade social que são, ou deveriam ser, a finalidade do processo educacional?

Serres – Essa questão é provavelmente a mais importante, pois ela se refere ao nosso destino, hoje. Realmente, o conhecimento e o ensino serão decisivos para as pessoas e os grupos no mundo de amanhã. Como eu sempre me considerei herdeiro do Iluminismo, espero que o conhecimento seja ainda libertador. Caso contrário, podemos sempre tentar a ignorância! É claro que as pressões sociais que pesam sobre o conhecimento parecem fazer dele um espaço ordinário onde prevalece a lei do mais forte. Mas não é certo, primeiramente, que o conhecimento individual dependa completamente das condições institucionais. A história das ciências que eu pratico há muito tempo, mostra suficientemente que a invenção é com freqüência o produto de indivíduos solitários e, para dar um exemplo, uma porcentagem considerável de Prêmios Nobel obtém a honraria graças a invenções que a coletividade científica não quis financiar, julgando-as sem valor. A coletividade e as instituições são tão pesadas que elas encorajam tudo, exceto a inteligência.

O dogma de acordo com o qual as ciências avançam pelo debate e pelas querelas me parece freqüentemente falso, pois essas discussões desperdiçam mais tempo do que ganham e eu não conheço um caso onde a invenção se originou realmente dessa disputa. Por outro lado, o vencedor, nesse tipo de batalha, raramente é o mais inventivo ou mais produtivo, mas o gângster melhor dotado em política; não o mais forte na disciplina, mas o mais forte na polêmica. A vida acadêmica de hoje mostra claramente que os que dirigem nunca não são os que trabalham, ainda menos aqueles que inventam. Também aí, o mais forte é raramente o mais inventivo. De resto, as instituições poluem o conhecimento muito mais do que o condicionam. É então necessário, eu acredito, relativizar a sociologia das ciências, o neodarwinismo americano do qual você fala, como também o modelo dialético continental. Em resumo, o coletivo e a batalha eclipsam muito o conhecimento e o favorecem muito menos do que se crê. A luta de todos contra todos no conhecimento favorece a luta e não o conhecimento. Inversamente, a cultura permite a um homem culto não esmagar ninguém sob o peso de sua cultura. O saber permite aquele que sabe evitar fazer a guerra em nome do saber; caso contrário, não se trata de uma cultura ou do saber, mas somente de armas letais.

Outro exemplo: se você tem e me dá US$ 20, no final, eu tenho US$ 20 e você não tem mais nada. Se você sabe um teorema e me ensina, ao final eu tenho o teorema, mas você o conserva também. Então, o conhecimento não obedece às leis da troca mercantil, ele tem mesmo a virtude de fazer exatamente o oposto: em vez de um jogo de resultado nulo, ele suscita a multiplicação de seu valor. Desse modo, nós não podemos aplicar aqui lógicas em vigor na economia ou na seleção natural: o darwinismo social é uma ideologia de cunho fascista; o darwinismo intelectual seria algo melhor?

Existe então ainda lugar para o trabalho solitário do indivíduo, para uma cultura que faça da vida uma vida livre, para um compartilhar do conhecimento que o multiplique gratuitamente e não aumente a miséria. No momento, eu só vejo a via da formação e da educação para a libertação dos homens. Eu permaneço otimista em relação às novas tecnologias que, abrindo, no momento, um espaço sem direito legal estabelecido, oferecem a formação aliviando ao mesmo tempo as pressões financeiras e sociais. O custo de se ramificar na Internet é infinitamente menor que o de um campus, com laboratórios, bibliotecas e salas de aula. Mas, nessa questão que diz respeito ao futuro, a discussão permanece aberta.

Folha – Conectar as humanidades e as chamadas ciências duras tem sido um dos seus objetivos principais ao longo de toda uma vida de reflexão. Recentemente, o chamado caso Sokal mostrou que, pelo menos no que diz respeito à opinião pública, ou, mais corretamente, a um setor largo ou proeminente dos meios de comunicação de massas no EUA e Europa, o fosso entre as humanidades e as ciências é tão grande hoje como sempre foi: um obscuro professor de física de Nova York que ganhou celebridade imediata exibindo sua ignorância filosófica publicamente e atacando com ciúmes territoriais filósofos, principalmente franceses, que ousaram engajar, imaginar, representar ou interrogar as ciências em seus trabalhos filosóficos. No ambiente de meios de comunicação de massas de hoje, a reflexão e o pensamento especulativo tornam-se espetáculo. Em nome da verdade como espetáculo a filosofia é espetacularmente condenada, e os domínios do conhecimento salvaguardados. Com que resultado?

Serres – Eu não conheço bem o caso Sokal, mas acredito sinceramente que terá produzido um benefício verdadeiro que consiste em recomendar prudência a todos os escritores ou jornalistas quando eles falam da ciência. Muitos filósofos, sociólogos ou outros especialistas falam de ciências, realmente, sem respeitar as regras elementares de treinamento e prática que elas implicam. De vez em quando, é necessário dizer isso a eles, até mesmo de maneira dura e, nesse ponto, Sokal não foi o primeiro; é necessário então primeiramente agradecê-lo por isso. Uma mudança de paradigma, como transformação da visão do mundo, vem freqüentemente de um pensamento filosófico. E as humanidades contêm um imenso tesouro de reflexão cuja ciência utiliza, às vezes muito tempo depois. Fazer a ponte entre os dois acelerará ainda a invenção. Finalmente, se a filosofia, como você diz, é condenada, eu ouso dizer que ela já está habituada a tanto, pois, na história, as instituições oficiais, guardiãs da verdade, sempre condenaram, de um modo ou de outro, a filosofia. Ela está sempre em vias de morrer para fazer nascer a ciência. Isso não é grave: precisamos nos consolar porque é o risco da profissão, e não há profissão sem risco.


Fonte

LIMA, Marcelo Guimarães. A conexão. Folha de São Paulo. São Paulo, 19 set. 1999. Mais, p. 5-11.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)